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Arquivos para a Categoria ‘Textos Líricos’

Camões, pois então!

CAMÕES, POIS ENTÃO!

por Maria Isabel Fidalgo a Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011 às 21:16

Depois de morto prestaram-me

As honras que quis em vida,

E puseram-me nos Jerónimos,

Com gente ilustre e subida.

Deram-me o nome de Príncipe

Dos poetas portugueses,

E cá dentro deste túmulo,

Desato-me a rir às vezes.

 

Isto é chato pr’a caraças,

Melhor fora o cemitério,

Ouviam-se vozes de cima,

E quebrava-se este tédio.

Saio então para arejar,

E dou o braço a Pessoa,

E lá vamos respirar

O ar da nossa Lisboa.

 

Não se cumpriu Portugal!

Ele abatido e tristonho

Eu todo feito caruncho,

E cada vez mais mirolho. 

 

Desconhecem quem nós somos,

Os que nos vêem passar

Mesmo até os governantes

Que gostam de nós falar.

 

Nas noites mais aquecidas,

Em tempo de quente estio,

Dormimos junto do Tejo,

E choram-nos águas do rio.

 

Ninguém dá por falta nossa,

Na morada tumular,

E os ossos enregelam,         

No silêncio de rachar.

 

Mas há um dia no ano

Em que me enchem de graça

E pára até o país

Num dia cheio de Raça. 

 

Canta a voz da nossa Amália

Povo que lavas no rio,

Mas o eco dessa voz

É hostil como o vazio.

 

E lá nos vamos morrendo,

Sofridos desde a raiz,

O povo chorando o frio,

E nós chorando o país.

 

Mas há um dia no ano,

Em que me honram na praça,

E finge-se com ar postiço

Um outrora de Ser raça. 

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Poema de Alexandra Mendes

domingo, 17 de janeiro de 2010

Min(uto)

Deixa-te estar assim.
Tu podes.
Não mexas um dedo, não mexas um músculo.
Eu vou pedir ao vento que não te mexa no cabelo.
Assim, podemos parar os ponteiros do relógio,
podemos parar o tempo, vendê-lo.

E posso começar a sussurrar-te.
Posso cantar baixinho,
que sei que vais ouvir.
Posso pôr um sorriso no peito,
que sei que o vais sentir.

E tu podes deixar-me viajar
em ti, sempre.
Podes confirmar que a verdade
nada mais é que a saudade,
e que a minha boca não mente.

O eterno é o amor.
O eterno é a música das folhas,
e dos rios, e do vento.
O eterno é o sabor
da vitória, do combate
contra o tempo.

Alexandra Mendes

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o que vejo

Num papel sujo duma grande cidade

vê-se o rosto de sofrimento

uma dor que atravessa nosso corpo sem piedade

num papel sujo de um certo sítio

vê-se sangue duma alma sacrificada pela desilusão

num papel deitado fora pelo mundo

vê-se o desgosto e a solidão

de quem foi consumido pela traição

numa cidade como a tua

numa cidade como a nossa

um papel sujo deitado fora pelo mundo

caracteriza a mágoa do tempo perdido

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Utopia – José Afonso

zeca_2

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

Ouçam o José Afonso http://br.youtube.com/watch?v=atUTahwSMUc

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ramos_rosa
Que eu sinta os pulmões com duas velas pandas
E que eu diga em nome dos mortos e dos vivos
Em nome do sofrimento e da felicidade
Em nome dos animais e dos utensílios criadores
Em nome de todas as vidas sacrificadas
Em nome dos sonhos
Em nome das colheitas em nome das raízes
Em nome dos países em nome das crianças
Em nome da paz
Que a vida vale a pena que ela é a nossa medida
Que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias
Que o reino da bondade dos olhos dos poetas
Vai começar na terra sobre o horror e a miséria
Que o nosso coração se deve engrandecer
Por ser tamanho de todas as esperanças
E tão claro como os olhos das crianças
E tão pequenino que uma delas possa brincar com ele

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Natal de Gente Simples

Daniel Augusto Raposo de Sá nasceu na Maia, S. Miguel, Açores, a 02/03/1944. Reside na Rua dos Foros, 8, 9625 Maia (S. Miguel).

 

 

(Auto-biografia)

 

Na galeria da fama dos maus romances, há um que começa mais ou menos desta maneira: “Era uma noite escura e tempestuosa”. Estava assim aquela em que nasci, quando o apocalipse da guerra contava já os seus últimos milhões de mortos, e o petróleo ia substituindo o azeite de gata, que dava mais cheiro que luz. Nesse dia, quadragésimo nono aniversário do decreto da autonomia de Hintze Ribeiro – João Franco – D. Carlos, os aliados continuavam a cercar o mosteiro de Monte Cassino, e Pio XII completava sessenta e oito anos de vida e cinco de Papa.

Mas logo aos dois anos tive de deixar a Maia e os meus boizinhos de carrilho, porque meu pai fora, como muitos mais, procurar a imitação do “Eldorado” no aeroporto de Santa Maria, e nos fizera carta de chamada, pois as ilhas estavam então separadas por alfândega e outras dificuldades, como estados independentes. Começava a cumprir-se o fado de uma família de emigrantes, que haveria de esboroar-se toda, nessa e nas décadas seguintes, por este mundo de Deus e de legítimas ambições humanas.

Dos primeiros tempos na ilha-mãe, feita de pedra e cal, recordo vagamente os meus caracóis louros e compridos, um coelhinho de latão que fora broche e se tornou no meu brinquedo preferido e quase único, o encanto indizível de um “dakota” de plástico que o Menino Jesus me deu, creio eu, por um Natal em que cheguei à chaminé ainda a tempo de o ver fugir, e uns versos com que me estreei na poesia, cantando para a vizinha da frente segundo as normas de rima que meu pai me ensinara na véspera.

Fui crescendo com essa cisma na cabeça, e cheguei a passar horas em desafios renhidos de redondilha maior com o Firmino, meu colega de quarta classe na escola de Santana, onde a boa da professora tinha de aturar mais de três dezenas de rapazes e raparigas, desde os que andavam na bê-à-bá até aos que papagueavam significados, rios, reis, serras e linhas férreas, entremeando a sua exausta paciência com um “calem-se” para nós os dois, sem que ela sonhasse o que dizíamos e como o dizíamos, a voz contida.

É de pouco depois o meu primeiro romance falhado, uma aventura de índios e “cowboys” que acabou quando o assalto a um rancho coincidiu com a minhga falta de paciência ou de inspiração para o resto.

Mas o melhor eram os relatos de futebol ouvidos e discutidos no Clube Asas do Atlântico e, sublimidade de quantas sensações havia na nossa infância, as “matinés” do Atlântida Cine, onde se arranjava quase sempre um lugarzinho, mesmo que não se tivesse o dinheiro para o bilhete, porque o Senhor Cardoso abria a porta à fila da nossa gula impaciente quando percebia que, a respeito de entradas pagas, estava tudo conversado.

Mas em fins de 1958 aconteceu o primeiro grande desgosto da minha vida: o bondoso padre Artur perdeu-se no naufrágio do “Arnel”; e, poucos meses depois, meu pai morreu. O tempo começou então a passar muito depressa. O quinto ano feito no Externato da Ribeira Grande e o curso do Magistério Primário foram uns instantes e dei por mim, de repente, professor nos Fenais da Ajuda. Andei por lá quatro anos, e comecei a escrever para o jornal do saudoso Cícero de Medeiros, com um pseudónimo que eu imaginara muito antes e que, feito do meu verdadeiro nome e de uma das designações daquela freguesia, por interessante coincidência se justificava plenamente: Augusto de Vera Cruz. Cumpri depois esse dever absurdo de aprender a guerra, nas Caldas da Rainha a recruta e a especialidade em Tavira, mas escapei à imposição de exercer na prática os conhecimentos adquiridos, porque passei o resto do serviço militar no batalhão dos Arrifes. Depois de mais um ano como professor, desta vez na Maia, cumpri a seguir o meu roteiro de nómada, entrando para a congregação missionária dos Combonianos, e por lá estive, quase três anos em Valência e alguns meses em Granada. Aprendi a ignorância de filósofos e teólogos e criei o vício físico da sesta, de que adoeci sem remédio.

E aqui estou, definitivamente disposto a ser rural e sedentário, que Deus, afinal, está em toda a parte e o Mundo inteiro vem cá ter com a gente.

Entretanto, casei: faltavam vinte e cinco dias não sonhados para que se cumprisse a plenitude de Abril. Pai de três filhos que vão crescendo e de seis livros maneirinhos, sinto que me saí melhor (talvez por serem uma obra a dois) com aqueles do que com estes, mas ainda não perdi a esperança de ser tão feliz por uns como pelos outros.

Tenho pena de não ter nascido a tempo de escrever o “Estrangeiro” ou “As Vinhas da Ira”, de compor o “Messias” ou a “Sagração da Primavera”, de pintar “A Peregrinação de Santo Isidro”, ou de esculpir “Os Burgueses de Calais”, de formular a teoria da Relatividade ou de descobrir a penicilina, de erguer o Taj Mahal, de criar o poema “Tabacaria” ou, ao menos, de inventar a maionese.

Meteram-me na política, onde tenho sido de tudo um pouco, menos membro do governo regional, porque, além de outras razões evidentes, de certeza não serviria para isso.

Sou de uma curiosidade sempre insatisfeita, e teria estado disposto, se tal fosse possível, a ficar olhando, durante milhões de anos, a criação do Universo, só para saber como foi. Trocaria todas as palavras que até hoje disse, e que os amigos aplaudiram, para pensar por momentos, sem esquecer depois, com o cérebro do primeiro homem que foi capaz de pensar.

Não sei se posso dizer que sou puro, como os justos do antigo Egipto no julgamento de Osíris. Sei que não queimei o templo de Diana nem ordenei nenhum campo de concentração. Posso invocar uns quantos nãos de bondade, mas faltam-me os sins seguros da justiça positiva.

Todavia, a catedral da Literatura existe, com os seus demónios e os seus santos para todas as devoções. E, com tantos livros para ler, há quem gaste o seu tempo e o seu talento a discutir-lhes a forma, a escola ou a literatura menor a que pertençam. No entanto, cada vez que eu entro, por exemplo, na igreja do mosteiro da Batalha, ajoelho-me primeiro porque aquele templo foi feito para louvarmos a Deus e não o estilo ou os homens que o construíram. E se, culturalmente, sou apátrida, no mais permaneço ilhéu e português, aceitando a fatalidade do destino com que nasci como se eu mesmo fosse o responsável por ele.

 

 Natal de Gente Simples

 

Minha irmã é que fazia

os bonequinhos de barro,

e era o sol que os cozia

E pintava, paciente,

ovelhinhas e pastores,

e mulheres à mistura,

cada qual com seu presente,

que a gente então não sabia

que essa gente

não andava misturada.

 

Casinhas de papelão,

janelas envidraçadas.

A gruta de pedra negra

ou caixote de sabão.

O Menino estava nu,

que Sua Mãe não previa,

quando chegou a Belém,

que Ele já ia nascer.

Mesmo assim, Seu Pai sorria,

com o boizinho a aquecer.

 

Um espelho era um lago,

papel de prata, a ribeira

onde lavavam mulheres,

num gesto vago,

roupas vagamente como as nossas.

O cascalho era o deserto:

camelos de duas bossas,

e os magos com incenso, oiro e mirra.

E logo ao lado, tão perto,

erguido no deserto que era areia,

o monte mais verdejante

de todos quantos houve na Judeia.

Ali, nada estava certo…

E era tão bom não saber!

 

Mas a casa estava cheia

de um bom Natal a valer.

Cheirava a pinho,

cheirava a figos, licores,

e um garrafão de vinho.

E as figuras principais

eram sempre minha irmã,

eu e meus pais.

E havia dois ou três postais:

de uma tia saudosa

(que mandara um já usado)

ou de um tio emigrado,

e nada mais.

 

Nesse tempo era tão bom ser pobre,

pela alegria de um dólar americano,

pelo gosto de esperar um presente do Menino,

às vezes só o doce engano

de esperar…

 

Ser pobre dava tanto gosto a tudo!

Desde os figos do Natal

às malassadas de Entrudo.

Quem fosse pobre outra vez!

Para sentir a alegria

desse dia,

desse mês,

do ano inteiro, afinal…

Porque uma criança vivia

só para o fugaz instante do Natal

do Deus-Menino, Jesus.

Mas ter dez anos bastava.

Nem que fosse na opulência

do palácio de Queluz…

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viniciusmorais2

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

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antonio_gedeao-1Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho alacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que foça através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara graga, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, paço de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

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Adeus – Eugénio de Andrade

A pedido dos alunos, aqui fica este belíssimo poema de Eugénio de Andrade, leccionado, na primeira unidade didáctica, em todas as turmas do décimo ano, sobre as diferenças entre o texto literário e o não literário.Penso que os alunos sabem o poema de cor. É bom sinal e a idade também ajuda… 

eugenio_andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

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Quase – Mário de Sá-Carneiro

mario-sa-carneiro
 

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Assombro ou paz?  Em vão… Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo … e tudo errou…
- Ai a dor de ser – quase, dor sem fim…
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou…
Momentos de alma que, desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ânsias que foram mas que não fixei…
Se me vagueio, encontro só indícios…
Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios…
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…
Um pouco mais de sol – e fora brasa,
Um pouco mais de azul – e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…

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